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                                                Aquelas manhãs de domingo

Certa feita, no caminho para casa, lembrei-me de um acontecimento que foi profundamente marcante para mim. Quando trabalhava no Instituto Penal Vieira Ferreira Neto (atuamente, Unidade Prisional da Polícia Militar) , no decorrer do estudo, naquela manhã de domingo, em algum momento fiz um comentário sobre uma experiência recente àquele tempo: um sequestro relâmpago sofrido por meu filho; assunto que estava dentro do contexto do estudo.

Ao terminar, não tinha reparado, mas todos estavam estáticos, parados, me olhando. 

Rompendo o silêncio um dos internos de nome Jorge me perguntou: " E você ainda vem aqui?". Respondi: Certamente! Venho porque acredito que é preciso fazer algo para mudar esse estado de coisas.

O tempo passou e, um dia, estava eu no centro do Rio, quando encontro com o Jorge. Disse-me ele que havia saído da cadeia e que já estava trabalhando, e muito feliz. Conversamos um pouco e na despedida ele me disse a seguinte frase:  "Maurício, você não tem idéia de como eram importantes aqueles encontros de domingo de manhã para nós naquele lugar!". O companheiro foi embora me deixando pensativo, com um sentimento de muita alegria no coração, por ter a oportunidade de contribuir de alguma forma, para ajudar esses nossos irmãos. 

Tivemos mais um encontro. Estava também no centro do Rio, quando me encontrei com o Roberto, presidente do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque. Estávamos ali na rua conversando sobre alguma questões da nossa casa espírita, quando avistei o Jorge.  Ao me ver, ele se aproximou, nos abraçamos, apresentei-o ao Roberto, e novamente ele comentou sobre as manhãs de domingo e sua alegria em nos receber naqueles poucos momentos de paz que conseguia ter “naquele lugar”.  Despediu-se para seguir seu caminho. Quando olhei para o Roberto, os dois estávamos com os olhos transbordando de lágrimas de alegria. Abraçamo-nos e seguimos nossas direções, sem comentar mais nada, apenas com os corações abençoados por aquele encontro.


Maurício Ravizzini
agente religioso atuante na Cadeia Pública Constantino Cokotós
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