André trigueiro, jornalista, escritor e palestrante espírita, em meio à palestra sobre suicídio, realizada na tarde do dia 28 de Abril de 2012, na sede do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, comentava que “se alguém pretende na seara espírita ajudar a uma pessoa, jamais conceitue-a como criminoso”. E dizia isso ao refletir sobre a depressão — maior causa do suicídio no mundo. Isso porque, embora guardemos no íntimo muitas vezes uma sensação de culpa, isso ajuda a destruir a nossa auto-estima, em nada ajudando a criatura a se levantar.
Emmanuel, autor espiritual do livro Caminho, Verdade e Vida, no capítulo Vidas Sucessivas, analisa assim o tema, em determinado ponto:
“... O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento.
Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados.
A Providência, todavia, corrige amando... não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros.
Para a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias que provocaram um crime.”
Assim, por essas palavras, também percebemos que a abordagem da questão da culpa, do crime, pela espiritualidade superior, é mesmo de uma justiça mais profunda.
Mas, em nossa vivência de largos anos na assistência religiosa espírita em unidades prisionais, temos nos deparado, muito comumente, com agentes penitenciários que chamam os detentos de “vagabundos” com uma alta carga de depreciação na voz.
Não está em nossa intenção, no desempenho da assistência religiosa, fazer vista grossa ao cometimento do crime, numa atitude piegas.
No entanto, não é adequado, quando se pensa em reeducação do encarcerado, fazê-lo sentir-se um indivíduo destituído de potencial de recuperação.
É preciso, relembrando a exposição de A. Trigueiro, “fortalecer o lado saudável” do prisioneiro, para que ele consiga refazer-se como pessoa, emocional e espiritualmente falando, devolvendo-o – quando liberto – ao tecido social, como um indivíduo realmente modificado e capaz de ajudar a termos um planeta melhor.
Samuel Kaplan
Coordenador do Departamento de Assistência ao Interno Penal do GELA