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Quando comecei a fazer parte da Escola Espírita a Caminho do Bem, na Penitenciária Talavera Bruce, me chamou muito a atenção o comportamento de uma das meninas (chamo-as assim), que sempre inquiria, e era perceptível seu constante ar de desconfiança, que aliás, não fazia questão de esconder.

O tempo passou, e ela naturalmente se tornou bem próxima, solícita e participante. Certa vez, ela disse que gostaria de conversar. Informou-me que este não era seu primeiro contato com o Espiritismo, que havia frequentado uma casa, bastante conhecida no Rio, inclusive participou de estudos, mas se afastou, pois nunca conseguiu acreditar totalmente na existência dos Espíritos.

Segundo ela, o único grande empecilho para que ela se "entregasse de corpo e alma", sem reservas seria a obtenção de uma prova irrefutável.

Percebi o início de um desejo de transformação, aquele ser tão torturado por suas questões tão intimas. Ela me disse que “sua religião de base, era evangélica”, e que por isso, era difícil crer na pré-existência do Espírito. Ela chorou muito. Oramos juntas, pedindo a Jesus que trouxesse a resposta que ela tanto buscava. Pedi a ela que continuasse a estudar, a orar com a firme certeza, que quem pede, recebe, no tempo correto do nosso Pai...

Passaram-se em torno de três semanas e, em chegando à biblioteca para nosso estudo, encontrei-a já sentada, chorando copiosamente. Perguntei preocupada o que estava acontecendo. Logo que pôde falar, ela me informou que, quando eu estava indo embora na semana anterior, ela viu com toda "clareza", um foco de luz se transformar em uma mulher muito bonita, pele muito alva. Ela narrou que quando viu a mulher lhe sorrir, que ficou completamente extasiada, que foi tomada por uma emoção nunca sentida em toda sua vida.

Tempos depois, quando obteve a liberdade, comentou com sua mãe sobre o fato. Quando ela descreveu o Espírito, sua mãe disse que era sua bisavó paterna. Ela titubeou, pois ela possui a tez escura. Foi aí que sua mãe lhe informou, que seu pai biológico era português.

Passaram-se alguns meses do ocorrido, e pude presenciar a mudança que se deu em sua vida. Ela segue a caminho da luz, buscando o recomeço no Bem. Após a sua narração, com o coração de joelhos, agradeci mais uma vez ao Mestre Jesus a oportunidade de ver uma flor se abrir numa rocha.

Rosilene Moreira dos Santos

Coordenadora do Trabalho no Instituto Penal Talavera Bruce

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