Há muitos anos atrás, quando o I. P. Edgard Costa era uma unidade penal de regime fechado, havia ali um agente penitenciário com quem nos deparávamos certos domingos na entrada da unidade.
Tinha uma implicância gratuita com a D.Espírita, e, “sobrava prá nós” — a equipe de agentes religiosos.
Já tínhamos nos acostumado com isso, e tolerávamos sua “ranhetice”, ou seja, não ficávamos a discutir. Tratávamos de dar entrada na unidade — para não perdermos nosso tempo precioso com discussões vãs — e executar a tarefa que nos aguardava todos os domingos.
Passado algum tempo, vendo que suas críticas não produziam o efeito que talvez desejasse, foi amainando e limitando-se a cumprir seu dever.
Mais tarde, fora transferido para outra unidade, porque nunca mais estivemos com ele, ali.
Cerca, talvez, de 2 a 3 anos depois, foi inaugurado pelo DAIP ( Departamento de Assistência ao Interno Penal do G. E. Leôncio de Albuquerque ) um trabalho numa unidade penal ( UP ) feminina que tinha sido reativada a pouco tempo. Digno de nota, que fomos convidados pela assistente social que já conhecia o nosso trabalho de outra unidade.
Qual não foi nossa surpresa quando, ainda nos primeiros dias do trabalho, reencontramos o agente penitenciário, trabalhando igualmente na entrada da unidade.
Maior surpresa ainda foi constatar a sua diferença de comportamento. Prá melhor! Agora, nos tratava não só com respeito, mas com simpatia.
Sublime elixir, o tempo! O porquê dessa mudança não o soubemos, pois o nosso tempo não comportava um diálogo nesse nível, e também porque preferimos agir com discrição, mas o fato é que agora ele agia com inalterável simpatia.
Essas lembranças que expomos, fazemo-lo com o objetivo, de alertar todos que já laboram nesta seara — sejam iniciantes ou não — bem como aqueles que tenham a intenção de entrar nessa tarefa, para que sejam muito cuidadosos. Não se agastem com as autoridades do sistema prisional, sob qualquer pretexto. Pra começo de conversa, nunca perder de vista que ali é uma unidade de segurança; eles têm autonomia para não deixar o agente religioso adentrar a UP, se qualquer coisa não estiver de acordo com as normas ou se a situação da UP, no nosso dia de trabalho, estiver instável.
Não estamos defendendo submissão cega; queremos destacar apenas a necessidade de não entrar em discussão acalorada. Isso acaba por prejudicar o trabalho por inteiro, e podemos até ser chamado a atenção pela Direção por causa disso, como já aconteceu uma vez, se não estou enganado, no I. P. Ferreira Neto. Já presenciamos agente religioso, querendo fazer valer o direito de exercer a tarefa, “batendo boca” com agente penitenciário.
Quando o agente religioso julgar que o agente penitenciário exorbitou dos seus poderes — agindo sem razão convincente — e mantiver esta atitude, apesar do questionamento educado do agente religioso, mesmo assim, não discuta! Leve o caso ao coordenador; juntos examinarão a conveniência de contatar o Serviço Social ou a Direção da UP. Com esse encaminhamento já resolvemos vários problemas.
Samuel Kaplan
Coordenador do Departamento de Assistência ao Interno Penal do GELA