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Esse trabalho de visita em presídios não é bem visto pela maioria das pessoas que conhecemos, que em geral desconhecem a doutrina espírita e não têm idéia que todos já tivemos comportamentos equivocados em  existências anteriores.

A verdade é que é comum ouvir entre colegas do grupo de atendimento a essas instituições que, contrariando o que aqueles pensam, a solidariedade enseja uma alegria interior, redescobrindo a sabedoria divina. Sabemos do suporte espiritual que temos e do amparo de benfeitores para que o trabalho se realize, ampliando os horizontes de serviço ao próximo, que resulta em serviço a nós mesmos.

Íamos eu e mais duas colegas, aos domingos à tarde e já no corredor de entrada ouvíamos, muitas vezes, o choro e os gemidos de alguma interna presa na solitária. Quando passávamos, gritava e pedia ajuda. O nosso coração se apertava, mas pouco podíamos fazer, além da prece e conselhos posteriores.

Atendíamos numa salinha “de aula” com estante, mesa e cadeiras. Não preparávamos estudo , tínhamos o hábito de perguntar para o grupo, geralmente pequeno (até 8 meninas) como tinham passado a semana. A partir do que ouvíamos, íamos encaminhando um “atendimento fraterno”, apoiado no Evangelho Segundo o Espiritismo. Também dispúnhamos de livros para oferecer, bem como muitas mensagens, elaborando um tipo de socorro para superar infortúnios e ajudar na reedificação de suas existências.

A coordenação da instituição, através da assistente social, nos contactava e pedia que ensaiássemos números para apresentação em festas como Dia das Mães e Natal, operando em favor do desenvolvimento moral delas.

Em alguns exercícios de Arteterapia que aplicamos, sempre traziam os assuntos ”casa” e “família”.

Certo dia, nos foi trazido o caso de uma interna, avó, preocupada com os seus netos queridos de quem cuidara. Tinha a intenção de fugir porque eles estariam passando fome.

Ficamos sensibilizados com o problema e logo pensamos em interferir, com a ajuda do grupo espírita e de nosso coordenador. Mas como tínhamos no grupo de atendimento uma assistente social, a mesma soube acionar seus contatos e conseguir que a assistente social do presídio atuasse, enviando cestas básicas para o domicílio da interna. A fuga não se concretizou.

Unidos pelo sentimento de amor, compaixão e caridade, na medida do possível, íamos atuando em favor delas, víamos algumas mudanças de comportamento e isso nos fortalecia para que continuássemos a reanimar esses corações desfalecidos na luta, falando do Cristianismo Redivivo. 


Marize Portal

            ex-agente religiosa do I.P. Romeiro Neto ( antigo presídio feminino de Niterói)

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