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O significado histórico da Páscoa, repousa raízes no Judaísmo,mas foi absorvido e alterado pelo mundo cristão.

Para os judeus, a Páscoa é a celebração que relembra a libertação do povo hebreu, após 400 anos de escravidão no Egito.

Já para o católicos cristãos celebra-se a ressureição de Jesus após a crucificação. A celebração inicia-se no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa, período compreendido como Semana Santa.

Todas essas decorrências estão plenas de significados,mas deitando nosso olhar para as primeiras origens desta celebração, vamos encontrar nas antigas tribos politeístas um tributo à primavera e a deusa da fertilidade Eostre.É a partir desta raíz histórica,que surge a relação da Páscoa com ovos( nos tempos modernos,de chocolate...) e com a lebre,ícone das festividades tribais, que marcavam a passagem do rigoroso inverno europeu para o período fértil da primavera.


No Judaísmo a palavra Peseach significa “passagem”.

O vocábulo busca traduzir o ápice das pragas do Egito que atingiram as terras e os interesses do faraó do êxodo,no período de Moisés:

Um anjo da morte visita o Egito e para evitar as mortes dos primogênitos, os fiéis hebreus marcam com o sangue de um cordeiro a porta de entrada de suas casas. Este era o sinal para que os filhos daquele lar fossem poupados da morte, e o anjo passava ... .

Uma outra tradição hebraica tem relação com o cordeiro no período da Páscoa: a família judaica acolhia por uma semana um cordeiro para viver com eles dentro de casa. Na convivência, estabeleciam-se vínculos afetivos e de sentimentos com o animal,e no entardecer da sexta-feira, este era sacrificado. Se alimentar do cordeiro da Páscoa era uma experiência de dor, de desilusão com vistas ao exercício da libertação,pela perda de alguém amado.

Neste aspecto, já caminhamos aqui, para uma inter-relação com uma simbologia mais próxima dos preceitos da Doutrina Espírita.

Lembremo-nos da última ceia de Jesus com os apóstolos.

(Mt 26:17-19/Mc 14:12-16 e Lc 22:14-23).

Jesus conviveu com proximidade durante 3 anos com os discípulos. Durante a ceia pascal (tradição hebraica) Jesus se reúne com os apóstolos e diz: “ Não mais beberei,a partir de agora ,deste fruto da videira,até aquele dia em que beba convosco ,(vinho) novo,no Reino de meu Pai” ( Mt 26:29)

O Mestre se despedia dos 12 apóstolos. Ele dizia, um de vocês vai me entregar e trair.Estou me despedindo de vocês.Vou para o plano espiritual.Voltarei ao Pai.Vocês vão experienciar a dor da perda,e a crise da morte será um portal para que eu continue a amparar vocês e a cuidar da expansão do Cristianismo.

E ecoando as derradeiras falas de Jesus e desdobrando seu simbolismo, a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec , no século 19, vai emoldurar a essência e beleza da mensagem do Mestre atestando ao mundo, que a vida não cessa.

Que todos os cristãos espíritas possam nesta Páscoa, se recordar de Jesus e celebrar em sua memória, o teor primeiro de sua missão : a libertação da escravidão da matéria,e o viver sem amarras com vistas a existência futura ,no plano espiritual.

Não permitamos que os ovinhos de chocolate e os coelhinhos da Páscoa

tirem a essência da celebração deste momento que é o profundo amor de Deus por nós e a imortalidade da alma.

Para os espíritas , a Páscoa propõe uma experiência de Deus. De amar e de sentir amado.


Cristo,foi o cordeiro de Deus, se imolou por nós.

Na passagem da cruz se ungiu de sangue,

De perdão e misericórdia ,

Para sinalizar o caminho,

A abertura das águas,

não mais vermelhas,do Mar Morto,

Apontando para a libertação e o consolo.

A celebração da vida.

A imortalidade da alma.


Carta de Paulo aos Gálatas; 2:20

Já não sou eu que vivo,mas é cristo que vive em mim.E a vida que agora tenho na carne,vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim”

Boa Páscoa.



campanha 160 anos o livro dos espiritos seloParis segunda metade do século 19. Estamos na cidade das luzes e capital intelectual da Europa. Caminhamos em direção a Rua dos Martyrs n.08 . Vamos encontrar um singelo apartamento no segundo andar. No gabinete, o professor Hippolyte Leon Denizard Rivail, assistido e amparado de perto pela esposa, a doce Amelie Boudet, trabalha incessantemente num projeto libertador. Meses antes numa reunião mediúnica experimental na Rua Tiquetonne, havia recebido a advertência. “ Quanto a ti , Rivail, a tua missão aí está: és obreiro que reconstrói o que foi demolido.”
O legado de amor do Cristo Jesus, já havia deitado raízes em corações sequiosos de justiça e verdade na velha Palestina.Em verdadeiro Renascimento, ganhava novo fôlego agora por determinadas mãos de operoso servidor. Para ele também foi dito pelo próprio Jesus, ou o Espírito da Verdade, que o nobre pedagogo reúnia virtudes que precisariam ser exercitadas na árdua tarefa. O mestre recomendou ao discípulo uma série de cuidados e qualidades: humildade, modéstia, desinteresse, coragem, perseverança, devotamento, abnegação, firmeza inabalável, prudência e tato, para não comprometer o sucesso com atos ou palavras intempestivas.
No dia 18 de Abril de 1857 , ele lançava o pilar da monumental obra .A codificação da Doutrina Espírita rasgava o véu da incredulidade, do sobrenatural e da ignorância. Inspirado e acompanhado por uma “nuvem de testemunhas”, espíritos dedicados ao BEM, que ensinavam a reedição das máximas morais do Cristianismo Primeiro, acrescidas de lógica científica e profundidade filosófica.
Kardec não só entreveu a Verdade como conseguiu alcança-la inteira.
Obrigada Kardec. Hoje aos 160 anos de lançamento do Livro dos Espíritos, nos lembramos de ti e do teu legado.
A Humanidade já sabe de um novo porvir.
Todos temos o consolo da nossa filiação divina.
Da existência de um Pai amoroso e Sábio, que nos ama
Indistintamente.
Fazemos parte de uma família universal.
Nosso destino a felicidade. E que para a caminhada , o augusto convite está posto:
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Esta é a lei “.


banner editorial2016dez

O editorial do CEERJ neste mês de Dezembro quer falar de valorização da vida. No dia 25 iremos comemorar a vida do maior exemplo de perfeição que já esteve entre nós. O nascimento de Jesus,marca a história da humanidade .Seu legado de amor inaugura a Boa Nova,mas há mais de dois mil anos , o Mestre aguarda por nós.Aguarda por entendimento e vivência da sua mensagem.

Muitos ainda se distanciam do chamado e voltam o seu olhar para a crença imatura que acredita ser a materia o elemento motriz da vida .Desconhecem as sublimes lições da questão 358 do Livro dos Espíritos quando de forma assertiva explicita as implicações do aborto provocado .” O aborto provocado é um crime,qualquer que seja a época da concepção? , pergunta o codificador Allan Kardec.

Respondem os espíritos: “ Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes de seu nascimento,porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.”

Em polêmica decisão a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em 29/11 que praticar aborto nos três primeiros meses da gestação não é crime. O entendimento foi firmado durante o julgamento de um caso específico, que revogou a prisão de cinco funcionários de uma clínica clandestina.

Embora outros magistrados não sejam obrigados a agir da mesma forma, a decisão abre caminho para a descriminalização do aborto no Brasil.

Em março deste ano o medo do Zika Virus e o possível impacto que poderia causar uma epidemia,no aumento de casos de microcefalia,mobilizou a imprensa e a população.

O assunto ganhou a alçada dos poderes jurídicos e ainda tramita a proposta de aprovação no STF do aborto legal em casos de microcefalia.

Por este editorial queremos fazer um convite: refletir e agir diante da escalada de entendimento equivocado do STF e de todos os que acreditam ser a matéria o ponto principal da vida humana.
Para os ministros do STF , vale a argumentação de que “ a criminalização do aborto é incompatível com a autonomia da mulher, com seus direitos sexuais e reprodutivos, com a integridade física e psíquica da gestante e com o princípio da igualdade de gênero .”

Para todos nós que já entendemos a vida espiritual como a verdadeira vida ,sendo ela,pré-existente ao corpo, e a Lei Divina como imutável e perfeita ,a prática do aborto provocado não passa de crime hediondo.
Interromper a gravidez de forma intencional , seja qual for o período da gestação ,é negar a um espírito em processo de reencarnação, a possibilidade de vivências que facultem a sua evolução.

É se colocar acima da Lei Maior, desafiando a Deus.

É desconsiderar no restrito âmbito humano o primeiro e mais fundamental dos direitos : o direito a vida..

Temos convicção de que em todos os reinos da natureza palpita a vibração de Deus, e que a vida humana representa nesta conjuntura o ápice de todas as experiências necessárias para catalogar valores e aquisições sagradas para a vida imortal. Preservar a vida humana é condição primeira daqueles que acreditam em valores que vão além do materialismo, das verdades oscilantes, efêmeras, que marcam uma época de incertezas e de miopias de entendimento.
Antes de se buscar o “ respeito à autonomia e a igualdade de gênero” , preciso se faz entender que somos todos iguais,enquanto espíritos imortais,e que na roupagem carnal cumprimos determinadas vocações,oscilando entre o feminino e o masculino,para a construção de um ser integral,e integrado na sua legítima filiação divina.

Vive-se numa época de grande competitividade e de pouca solidariedade. Em nome deste “modus-vivendi”, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores fundamentais.

A evolução de uma sociedade é medida pela sua capacidade de amparar os mais frágeis. A sociedade que apela para o aborto se declara falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência que vai resultar em última instância na pena de morte para inocentes. Tal postura equivocada, não se coaduna com valores éticos e morais que apontam para uma sociedade aperfeiçoada na grande obra da regeneração. Amor e justiça são fatores condicionantes para o bem e a felicidade coletiva. É mais do que urgente, o resgate da sensatez, de valores adormecidos pelas fieiras do tempo. De implantarmos uma reedição moral dos valores consagrados pelo Cristianismo, cuja pauta maior é fazer ao outro o que gostaríamos que fosse feito a nós mesmos.

Se faz necessário trabalhar nos alicerces de uma sociedade mais justa que obrigatoriamente precisa conjugar noções de liberdade, igualdade e fraternidade, princípios solidários entre si.

Compete a todos os homens de boa vontade lutar pela legitimação do progresso moral da humanidade que será alcançado pela extirpação do egoísmo e da consolidação das leis divinas.

É pela consagração de todos estes valores que comemoramos neste Dezembro o Natal. Que comemoramos a vinda passageira e eficaz do Mestre Maior, que veio para nos ensinar novos valores que apontam para a Vida Futura.,
Unamo-nos. O momento agora é de defesa da vida humana,para que possamos garantir para o Homem, sua inexorável destinação : um glorioso futuro espiritual.





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