Seu negócio era fugir. Esteve na Ilha Grande e tentou evidentemente fugir. Por isso era considerado perigoso. Quando foi transferido para a Frei Caneca, sua mente logo começou a pensar na fuga.
Até que um dia, observando uma reunião diferente numa sala, curioso, entrou para assistir. Foi o episódio divisor de águas em sua vida. Começou a frequentar assiduamente a reunião espírita e gradualmente seu interior foi se modificando.
Transferido novamente para a Ilha Grande, já não era mais o mesmo preso da primeira vez. Junto com outro colega organizaram um centro espírita ali. Agora era visto de maneira diferente. Até um guarda considerado brabo tratava-o com muita deferência. Recebeu a responsabilidade de trabalhar na cantina.
Um dia, esse mesmo guarda solicitou ao renovado interno: “Você pode ir lá em casa ver o meu filho pequeno? Ele não come nada, parece sem vida, …”
Pois não — disse o antigo fujão — vamos sim.
Chegando lá e vendo o menino prostrado no leito, orou e impôs a mão sobre a testa do mesmo. Eis que logo o menino pareceu recobrar a vida e sua saúde se normalizou.
Tentando elogiar o feito, o agente penitenciário ouviu do renovado espírita que: “era merecimento do menino”.
Os anos se passaram ali, e mais uma vez foi transferido. Desta feita para a Penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Niterói. Em pouco tempo, foi exercendo a liderança na organização da atividade espírita ali.
Liberto, naturalmente, encontrou o interesse dos companheiros do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque para ajudá-lo em sua reinserção social.
Quando ingressamos nessa tarefa bendita, ele já se encontrava há alguns anos levando a Doutrina Espírita para o cárcere. E continua até hoje, inquebrantável!
Louvada seja essa Doutrina bendita que nos reergue do fundo do poço moral em que vivíamos e que faz brilhar a nossa luz!!!
Samuel Kaplan
Coordenador do Departamento de Assistência ao Interno Penal do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque.