IDENTIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA

“Doutrina Espírita” ou “Espiritismo” :nome dado por Allan Kardec à doutrina dos Espíritos contida nas obras da Codificação.

• “Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos: espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia.” • “Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo (...)” • “Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas.”

• “Como especialidade, O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista (...)”

Allan Kardec (“O Livro dos Espíritos” - Introdução - I)


DIFUSÃO do ESPIRITISMO

Observações de Allan Kardec:

• “Um dos maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a falta de unidade.” • “Somente o Espiritismo, bem entendido e bem compreendido, pode (...) tornar-se, conforme disseram os Espíritos, a grande alavanca da transformação da Humanidade.”

• “Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências.”

• “Uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até às localidades mais distantes, o conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral.”

• “Dois ou três meses do ano seriam consagrados a viagens, em visitas aos diferentes centros e a lhes imprimir boa direção.” (“Obras Póstumas” - Projeto - 1868) • •

• “Outro tanto se dará com o Espiritismo organizado. Os espíritas do mundo todo terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo sagrado laço da fraternidade, mas cujas aplicações variarão segundo as regiões, sem que, por isso, a unidade fundamental se rompa; sem que se formem seitas dissidentes a atirar pedras e lançar anátemas umas às outras, o que seria absolutamente anti-espírita.”

• “Assim acontecerá com os centros gerais do Espiritismo; serão os observatórios do mundo invisível, que permutarão entre si o que obtiverem de bom e de aplicável aos costumes dos países onde funcionarem, uma vez que o objetivo que eles colimam é o bem da Humanidade e não a satisfação de ambições pessoais.”

• “O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.”

• “Dez homens unidos por um pensamento comum são mais fortes do que cem que não se entendam.” (“Obras Póstumas” – Constituição do Espiritismo)

Observações de Emmanuel:

• “Um Centro Espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.” (Psicografia de F. C. Xavier - O Centro Espírita - “Reformador” jan./1951)

• “Senhor Jesus! (...) Faze-nos observar, por misericórdia, que Deus não nos cria pelo sistema de produção em massa e que por isto mesmo cada qual de nós enxerga a vida e os processos de evolução de maneira diferente.” (Psicografia de F. C. Xavier - CFN - “Reformador” fev./1973)

• “Trabalhar pela unificação dos órgãos doutrinários do Espiritismo (...) é prestar relevante serviço à causa do Evangelho Redentor junto à Humanidade. Reunir elementos dispersos, concatená-los e estruturar-lhes o plano de ação, na ordem superior que nos orienta o idealismo, é serviço de indiscutível benemerência porque demanda sacrifício pessoal, oração e vigilância na fé renovadora e, sobretudo, elevada capacidade de renunciação”. (Psicografia de F. C. Xavier - Unificação - “Reformador” out./1977)

DOUTRINA ESPÍRITA ou ESPIRITISMO

O que é ?

• É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

• “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)

• “O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.” Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)

O que revela ?

• Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.

• Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

Sua abrangência

• Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

• Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.

MOVIMENTO ESPÍRITA

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.” Allan Kardec (O Livro dos Espíritos – Prolegômenos)

O que é ?

• Movimento Espírita é o conjunto das atividades que têm por objetivo estudar, divulgar e praticar a Doutrina Espírita, contida nas obras básicas de Allan Kardec, colocando-a ao alcance e a serviço de toda a Humanidade.

• As atividades que compõem o Movimento Espírita são realizadas por pessoas, isoladamente ou em conjunto, e por Instituições Espíritas.

• As Instituições Espíritas compreendem:

♦ Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas, que desenvolvem atividades gerais de estudo, difusão e prática da Doutrina Espírita e que podem ser de pequeno, médio ou grande porte;

♦ As Entidades Federativas, que desenvolvem as atividades de união das Instituições Espíritas e de unificação do Movimento Espírita;

♦ As Entidades Especializadas, que desenvolvem atividades espíritas específicas, tais como as de assistência e promoção social e as de divulgação doutrinária;

♦ Os Pequenos Grupos de Estudo do Espiritismo, fundamentalmente voltados para o estudo inicial da Doutrina Espírita.





Influência do Espiritismo no Progresso

798. O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

“Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.” (O Livro dos Espíritos - Parte 3ª - Cap. VIII)





TRABALHO FEDERATIVO E DE UNIFICAÇÃO DO MOVIMENTO ESPÍRITA


“O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.” Allan Kardec (Obras Póstumas – Constituição do Espiritismo – Item VI)

O que é ?

• Trabalho federativo e de unificação do Movimento Espírita é uma atividade-meio que tem por objetivo fortalecer, facilitar, ampliar e aprimorar a ação do Movimento Espírita em sua atividade-fim, que é a de promover o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita.

• Decorre da união fraterna, solidária, voluntária, consciente e operacional dos espíritas e das Instituições Espíritas, através da permuta de informações e experiências, da ajuda recíproca e do trabalho em conjunto.

• É fundamental para o fortalecimento, o aprimoramento e o crescimento das Instituições Espíritas e para a correção de eventuais desvios da adequada prática doutrinária e administrativa.

O que realiza ?

• Realiza um permanente contato com os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas, promovendo a sua união e integração e colocando à disposição dos mesmos, sugestões, experiências, trabalhos e programas de apoio de que necessitem para suas atividades.

• Realiza reuniões, encontros, cursos, confraternizações e outros eventos destinados a dirigentes e trabalhadores espíritas, para a renovação e atualização de conhecimentos doutrinários e administrativos, visando o aprimoramento e a ampliação das atividades das Instituições Espíritas e a abertura de novas frentes de ação e de trabalho.

• Realiza eventos destinados ao grande público, para a divulgação da Doutrina Espírita a fim de que o Espiritismo seja cada vez mais conhecido e melhor praticado.

Como se estrutura ?

• Estrutura-se através da união dos Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas que, preservando a sua autonomia e liberdade de ação, conjugam esforços e somam experiências, objetivando o permanente fortalecimento e aprimoramento das suas atividades e do Movimento Espírita em geral.

• Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas, unindo-se, constituem as Entidades e Órgãos federativos ou de unificação do Movimento Espírita em nível local, regional, estadual ou nacional.

• As Entidades e Órgãos federativos e de unificação do Movimento Espírita em nível nacional constituem a Entidade de unificação do Movimento Espírita em nível mundial, o Conselho Espírita Internacional.



Diretrizes do trabalho federativo e de unificação do Movimento Espírita

• O trabalho federativo e de unificação do Movimento Espírita, bem como o de união dos espíritas e das Instituições Espíritas, baseia-se nos princípios de fraternidade, solidariedade, liberdade e responsabilidade que a Doutrina Espírita preconiza.

• Caracteriza-se por oferecer sem exigir compensações, ajudar sem criar condicionamentos, expor sem impor resultados e unir sem tolher iniciativas, preservando os valores e as características individuais tanto dos homens como das Instituições.

• A integração e a participação das Instituições Espíritas nas atividades federativas e de unificação do Movimento Espírita, sempre voluntárias e conscientes, são realizadas em nível de igualdade, sem subordinação, respeitando e preservando a independência, a autonomia e a liberdade de ação de que desfrutam.

• Todo e qualquer programa ou material de apoio colocado à disposição das Instituições Espíritas não terão aplicação obrigatória, ficando a critério das mesmas adotá-los ou não, parcial ou totalmente, ou adaptá-los às suas próprias necessidades ou conveniências.

• Em todas as atividades federativas e de unificação do Movimento Espírita deve ser sempre estimulado o estudo metódico, constante e aprofundado das obras de Allan Kardec, que constituem a Codificação Espírita, enfatizando-se as bases em que a Doutrina Espírita se assenta.

• Todas as atividades federativas e de unificação do Movimento Espírita têm por objetivo maior colocar, com simplicidade e clareza, a mensagem consoladora e orientadora da Doutrina Espírita ao alcance e a serviço de todos, especialmente dos mais simples, por meio do estudo, da oração e do trabalho.

• Em todas as atividades federativas e de unificação do Movimento Espírita deve ser sempre preservado, aos que delas participam, o natural direito de pensar, de criar e de agir que a Doutrina Espírita preconiza, assentando-se, todavia, todo e qualquer trabalho, nas obras da Codificação Kardequiana.

Missão dos Espíritas

Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé. Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai! Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade. Erasto (O Evangelho Seg. o Espiritismo - Cap. XX - item 4)



MOVIMENTO ESPÍRITA: Distorções, Problemas e Dificuldades

• As distorções, problemas e dificuldades que se verificam no Movimento Espírita decorrem, basicamente, da diversidade e dos diferentes níveis de conhecimento, de compreensão e de aplicação prática da Doutrina Espírita que os trabalhadores espíritas apresentam.

• As distorções, problemas e dificuldades do Movimento Espírita serão atenuadas e superadas:

• com o estudo constante, metódico e aprofundado da Doutrina Espírita;

• com o propósito sincero de se colocar em prática os seus ensinos morais;

• com o esforço permanente para se vencer os hábitos que destacam o personalismo individual ou de grupo;

• com um maior intercâmbio e uma maior união entre os Grupos, Centros e Sociedades Espíritas.

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” Allan Kardec - (ESE - Cap. XVII - 4)



O TRABALHO DE UNIFICAÇÃO DO MOVIMENTO ESPÍRITA NO BRASIL

(Apresentado pela Federação Espírita Brasileira no Congresso Espírita Mundial realizado em Liège, Bélgica, no período de 2 a 5 de novembro de 1990 )

Nesta fase de transição por que passa a Humanidade, em que muitos dos seus valores são questionados e redimensionados, a Doutrina Espírita desempenha importante papel. Oferece aos homens, com lógica e segurança, a consolação e a orientação de que necessitamos, esclarecendo-nos sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e quais os objetivos de nossa existência terrena.

Colocar a Doutrina Espírita ao alcance e a serviço de todos os homens, sem nada impor, mas também sem nada omitir é, portanto, um dever natural de todos os que, como nós, vêm recebendo os benefícios decorrentes do conhecimento e da prática do Espiritismo.

Assim motivados, trazemos à consideração dos estimados irmãos, que ora participam do Congresso Espírita Mundial, alguns apontamentos sobre as atividades de Unificação do Movimento Espírita tal qual vêm sendo realizadas no Brasil, objetivando oferecer subsídios ao trabalho desenvolvido por companheiros em outras terras, com o mesmo propósito de difusão e prática da Doutrina.

Esperamos que, nessa troca de experiências e informações acerca das atividades espíritas, possamos enriquecer-nos, reciprocamente, renovando conhecimentos e capacitando-nos sempre mais para o adequando desempenho da nobre tarefa na qual estamos todos empenhados.

A DOUTRINA ESPÍRITA

Elaborada e revelada pelos Espírito Superiores, a Doutrina Espírita tem origem divina. Nos prolegômenos, de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec nos diz:

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade. Este livro é o repositório de seus ensinos. Foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos Superiores, para esclarecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos dos espíritos de sistema. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.”

Os Espíritos Superiores, por sua vez, dizem a Allan Kardec: “Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade.”

O Espiritismo é, pois, obra dos Espíritos Superiores, tendo ficado a Allan Kardec a tarefa de sistematizar a Doutrina, executando, assim, a parte humana do trabalho de elaboração da Codificação Espírita.

O MOVIMENTO ESPÍRITA

Movimento Espírita visa a colocar a Doutrina Espírita ao alcance e a serviço da Humanidade, através do seu estudo, de sua prática e de sua divulgação.

Cabe aos homens que aceitam os princípios do Espiritismo e se disponham a colaborar na sua difusão executar a parte humana da tarefa, sob a inspiração e orientação dos Espíritos Superiores.

O TRABALHO DE UNIFICAÇÃO

O trabalho de unificação do Movimento Espírita e de união das Sociedades e dos próprios espíritas é uma atividade-meio que tem como objetivo fortalecer e facilitar a ação do Movimento Espírita na sua atividade-fim de promover o estudo, a difusão e a prática da Doutrina.

Esse trabalho, que tem como base os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, decorreu basicamente da orientação dos Espíritos na própria Codificação. Nela o Espírito de Verdade nos convida para que “trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”.

A Unificação inicia-se com o trabalho de Allan Kardec que, concomitante à grave responsabilidade de codificar a Doutrina, realizou diversas viagens de visitas a núcleos nascentes do Espiritismo, levando esclarecimentos e apoio e observando as realidades e as necessidades desses primeiros grupos.

O Codificador estabeleceu, dessa maneira, já nas primeiras atividades do Movimento Espírita, procedimento semelhante ao dos primeiros apóstolos do Cristianismo nascente que, em clima de fraternidade, trocavam experiências e informações, através de visitas e cartas, fortalecendo os laços de união no desempenho das tarefas de difusão e prática do Evangelho.

“O Livro dos Médiuns” (Das Reuniões e das Sociedades Espíritas) e “Obras Póstumas” contêm outras observações preciosas que dizem respeito à Unificação.

Essas orientações e experiências inspiraram os pioneiros do Movimento Espírita do Brasil, os quais, ainda no final do século passado, desenvolveram importantes atividades com o objetivo de unir a família espírita.

Embora naturais dificuldades atingissem o Movimento Espírita brasileiro nas etapas iniciais, a sua unificação foi gradativamente implantada, tendo como base os princípios de liberdade, com pleno respeito à autonomia das Instituições Espíritas.

Dentre os trabalhos pioneiros de Unificação destaca-se o de Adolfo Bezerra de Menezes, especialmente quando esteve à frente da Federação Espírita Brasileira. Bezerra de Menezes continua em sua tarefa de unir a família espírita e de auxiliar aos homens, mesmo após o seu retorno à Pátria Espiritual, em abril de 1900.

O trabalho de Unificação do Movimento Espírita do Brasil venceu várias etapas. Destas etapas, merece destaque a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, realizada em 5 de outubro de 1949, da qual resultou o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, composto pelas entidades federativas estaduais. Essa Conferência tornou possível o acordo que ficou conhecido por “Pacto Áureo”.

Em 1975, o Conselho Federativo Nacional voltou sua atenção, de forma mais objetiva e pragmática, ao Centro Espírita, unidade fundamental do Movimento Espírita. Dois anos após, com a participação de todas as Entidades que o compõem, concluiu o documento sobre “A Adequação do Centro Espírita para o Melhor Atendimento de suas Finalidades”:

a) os Centros Espíritas, como escolas de formação espiritual e moral que devem ser, desempenham papel relevante na divulgação do Espiritismo e no atendimento a todos os que nele buscam orientação e amparo.

b) para bem atender às suas finalidades, o Centro Espírita deve ser núcleo de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho, com base no Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita;

c) como recanto de paz construtiva que deve ser, o Centro Espírita precisa manter-se num clima de ordem, de respeito mútuo, de harmonia, de fraternidade e de trabalho, minimizando divergências e procurando superar o personalismo individual ou de grupo, a bem do trabalho doutrinário;

d) o Centro Espírita deve caracterizar-se pela simplicidade própria das primeiras Casas do Cristianismo nascente, com a total ausência de imagens, paramentos, símbolos, rituais, sacramentos ou outras quaisquer manifestações exteriores, tais como batizados e casamentos.

Com base nestas considerações, o documento recomenda que os Centros Espíritas observem, no seu funcionamento, as seguintes diretrizes básicas:

I - promover o estudo metódico e sistemático da Doutrina Espírita, no seu tríplice aspecto - científico, filosófico e religioso -, consubstanciada na Codificação Kardequiana;

II - realizar atividades de assistência espiritual, através do atendimento fraterno, da orientação doutrinária e do passe;

III - promover a evangelização espírita da criança e do jovem, incentivando-os para o estudo e a prática doutrinária;

IV - promover a divulgação da Doutrina Espírita;

V - promover o estudo da mediunidade, para que sua prática seja coerente com os princípios doutrinários;

VI - realizar atividades de assistência social, assegurando características beneficentes, preventivas e promocionais, conjugando a ajuda material e espiritual.

Em nova etapa, o Conselho reuniu experiências de entidades de todo o País para oferecer aos Grupos Espíritas sugestões a respeito de como executar as diretrizes já estabelecidas, que foram consolidadas no documento “Orientação ao Centro Espírita”, concluído em 1980.

Estabelecidos estes norteamentos e, no propósito de fixar balizamentos mais seguros para as atividades de Unificação do Movimento Espírita, a fim de que este seja realizado dentro dos princípios que a Doutrina Espírita preconiza, o Conselho concluiu, em novembro de 1983, o documento intitulado “Diretrizes da Dinamização das Atividades Espíritas”, por meio do qual:

I - ressalta a importância, a oportunidade e o objetivo operacional do trabalho de Unificação, no estudo, difusão e prática da Doutrina;

II - oferece sugestões de atividades para as Entidades Estaduais, com vistas ao permanente apoio aos Centros Espíritas;

III - observa a filosofia de trabalho que deve orientar esta tarefa de Unificação do Movimento Espírita.

Pela expressiva importância de que se reveste, destacamos as seguintes diretrizes, relativas à filosofia do trabalho de Unificação:

a) o trabalho de Unificação do Movimento Espírita, e de união das Sociedades e dos próprios espíritas, se assenta nos princípios de fraternidade, liberdade e responsabilidade que a Doutrina Espírita preconiza;

b) o trabalho de Unificação caracteriza-se por oferecer sem exigir compensações, ajudar sem criar condicionamentos, expor sem impor resultados e unir sem tolher iniciativas, preservando os valores e características individuais, tanto dos homens como das sociedades;

c) a integração e participação dos Centros Espíritas nas atividades de Unificação devem ser sempre voluntárias e conscientes, com pleno respeito à autonomia administrativa que desfrutam;

d) os programas de colaboração e apoio aos Centros Espíritas devem ser colocados à sua disposição, simplesmente como subsídio ao trabalho por eles desenvolvido;

e) em todas as atividades de Unificação seja sempre estimulado o estudo metódico, constante e aprofundado das obras de Allan Kardec, enfatizando-se as bases que a Doutrina Espírita se assenta, destacando a sua permanente atualidade frente ao progresso humano, em razão do caráter dinâmico e evolutivo que apresenta;

f) todas as atividades de Unificação devem ter por objetivo maior colocar, com simplicidade e clareza, a mensagem consoladora e orientadora da Doutrina Espírita ao alcance e a serviço de todos, por meio do estudo, da oração e do trabalho;

g) em todas as atividades de Unificação seja sempre preservado, aos que dela participam, o natural direito de pensar, de criar e de agir que a Doutrina Espírita preconiza, assentando-se, todavia, todo e qualquer trabalho, nas obras da Codificação Kardequiana.

Essas diretrizes, decorrentes de ampla análise, tomam por referência textos de apoio relacionados com a Unificação do Movimento Espírita, dos quais citamos os seguintes:

1. De Allan Kardec:

− “O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá.” (“O Livro dos Espíritos”);

− “Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns.” (“Obras Póstumas”);

− “Esses Grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.” (“O Livro dos Médiuns”.)

− “ Dois ou três meses do ano seriam consagrados a viagens, em visita aos diferentes centros e a lhes imprimir boa direção... .” (“Obras Póstumas”.)

2. Do Espírito de Verdade:

− “Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado.” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”.)

− “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram.” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”.)

− “Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: ‘Trabalhemos juntos e unamos os nosso esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra’, porquanto o Senhor lhes dirá: ‘Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio às vossas rivalidades e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!’ ” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”.)

3. De Paulo de Tarso:

− “Onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade.” (Segunda Epístola aos Coríntios.)

4. De Emmanuel (Psicografia de Francisco Cândido Xavier):

− “Um Centro Espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.” (REFORMADOR - jan/1951.)

− “Trabalhar pela unificação dos órgãos doutrinários do Espiritismo (...) é prestar relevante serviço à causa do Evangelho Redentor junto à Humanidade. Reunir elementos dispersos, concatená -los e estruturar-lhes o plano e ação, na ordem superior que nos orienta o idealismo, é serviço de indiscutível benemerência porque demanda sacrifício pessoal, oração e vigilância na fé renovadora e, sobretudo, elevada capacidade de renunciação.” (REFORMADOR - out/1977.)

“Senhor Jesus! (...) Faze-nos observar, por misericórdia, que Deus não nos cria pelo sistema de produção em massa e que por isto mesmo cada qual de nós enxerga a vida e os processos de evolução de maneira diferente.” (REFORMADOR - fev/1973.)

5. De Bezerra de Menezes (Psicografia de Francisco Cândido Xavier):

− “O serviço da unificação em nossas fileiras é urgente, mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma.”

− “Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.”

− “A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base Kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.”

− “Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da verdade.”

− “Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que nossa fé não se faça hipnóse, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.”

− “Libertação da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém bastante força moral para se não prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas.”

− “Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.”

− “É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.”

− “Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos. Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido, a luz para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do Mentor Divino.” (REFORMADOR - dez/1975.)

6. De Bezerra de Menezes (Psicofonia de Divaldo Pereira Franco):

− “A tarefa da unificação é paulatina; a tarefa da união é imediata, enquanto a tarefa do trabalho é incessante (...)”

− “Recordemos, na palavra de Jesus, que “a casa dividida rui”; todavia ninguém pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união de forças.”

− “Jesus, meus amigos, é mais do que um símbolo. É uma realidade em nossa existência. Não é apenas um ser que transitou da manjedoura à cruz, mas o exemplo, cuja vida se transformou num Evangelho de feitos, chamando por nós. Necessário, em razão disso, aprofundar o pensamento na Obra de Allan Kardec para poder viver Jesus em toda a plenitude.”

− “Unificação, sim. União, também. Imprescindível que nos unifiquemos no ideal espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos.” (REFORMADOR - fev/1976).

FILOSOFIA DO TRABALHO

Esta é a filosofia de trabalho que vem norteando as tarefas de Unificação do Movimento Espírita em nosso País, que procura, na sua execução, não se afastar dos princípios de fraternidade e de liberdade, e, no seu objetivo, não se afastar do estudo, da prática e da difusão da Doutrina Espírita, tendo como base as obras de Allan Kardec.

Na prática, já observamos resultados muito positivos. Por intermédio dos órgãos de Unificação Regionais do Conselho Federativo Nacional, dirigentes de entidades espíritas estaduais vêm participando de reuniões e encontros para permuta de informações sobre suas atividades, necessidades, experiências e dificuldades. Assim vêm encontrando soluções para seus problemas comuns, criando estímulos para novas iniciativas, aprimorando e ampliando suas realizações e formando equipes para tarefas conjuntas.

Por sua vez, as entidades espíritas estaduais promovem reuniões e encontros de dirigentes e trabalhadores de Grupos Espíritas, com a mesma finalidade.

Num e noutro caso, o objetivo principal é sempre o de prestar apoio às atividades do Centro Espírita, uma vez que este é a unidade fundamental do Movimento Espírita. Tal apoio se faz por meio de cursos e de encontros, seja no sentido de aprimorar, e ampliar o trabalho dos já existentes, seja no de criar novos Centros Espíritas, em condições de atender às suas finalidades.

Nesta tarefa, vem-se procurando dar destaque à importância do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que proporciona aos interessados melhores recursos para um aprofundado conhecimento das obras da Codificação de Allan Kardec, gerando não apenas espíritas mais esclarecidos, como também, trabalhadores mais conscientes e mais preparados para as tarefas da Doutrina.

Ressalta-se, também, a importância das atividades de Assistência Espiritual e Social aos que buscam a Casa Espírita, para que essas ações sejam desenvolvidas dentro dos princípios da caridade, simplicidade e autenticidade que a Doutrina Espírita preconiza.

Procura-se dar ênfase às atividades de Evangelização Espírita da Criança e do Jovem visando a oferecer às novas gerações princípios básicos da Doutrina. E analisam se os meios mais adequados para a divulgação, cada vez mais ampla, do Espiritismo.

Desta forma, observamos que o trabalho de Unificação do Movimento Espírita vem atendendo aos seus objetivos básicos, estruturando-se dentro dos princípios de simplicidade, fraternidade e liberdade, promovendo a Doutrina em toda a sua pureza, sem rituais, sem ídolos, sem liturgias, sem dogmas e sem formalismos de qualquer espécie.

Sua tarefa vem sendo realizada sem organismos centralizadores que inibam iniciativas, que imponham resultados e que pretendam uma padronização artificial e automatizante, incompatível com o clima de liberdade que é fundamental ao crescimento do Movimento Espírita e à difusão da Doutrina Espírita.

Entendemos que o trabalho de Unificação, aqui apresentado, procura refletir, dentro de nossa realidade, a simplicidade e a fraternidade das primeiras atividades do Cristianismo nascente, que o Espiritismo veio reviver, na condição de Consolador prometido por Jesus.

A sua prática torna-o, também, compatível com as observações de Allan Kardec quando trata da autoridade da Comissão Central, que propõe como coordenadora do Movimento Espírita: “Fica bem entendido que aqui se trata de autoridade moral, no que respeita à interpretação e aplicação dos princípios da Doutrina, e não de um poder disciplinar qualquer.”

Rogamos a Deus que, por intermédio do trabalho de Unificação, do convívio fraterno e da troca de experiências com irmãos que alimentam o mesmo ideal, possamos colaborar para o crescimento e o aprimoramento do Movimento Espírita, na sua nobre tarefa de colocar ao alcance e a serviço dos homens a mensagem consoladora e esclarecedora que a Doutrina Espírita nos oferece.

* * * (Texto publicado na Revista “Reformador” de Mar/1991 - Págs. 80 a 83)


Subsídios – Outras mensagens sobre o tema


UNIFICAÇÃO PAULATINA, UNIÃO IMEDIATA, TRABALHO INCESSANTE...

Espíritas, meus irmãos!

Quando as clarinadas de um novo dia em luz nos anunciam os chegados tempos do Senhor; quando uma era de paz prepara a nova humanidade, neste momento dominada pela angústia e batida pela desesperação, façamos a viagem de volta para dentro de nós.

No instante em que os valores externos perdem a sua significação, impulsionando-nos a buscar Deus no coração, somos, através de nossos irmãos, convidados à responsabilidade maior de amar, de servir e de passar...

Jesus, meus amigos, é mais do que um símbolo. É uma realidade em nossa existência. Não é apenas um ser que transitou da manjedoura à Cruz, mas o exemplo, cuja vida se transformou num Evangelho de feitos, chamando por nós.

Necessário, em razão disso, aprofundar o pensamento na Obra de Allan Kardec para poder viver Jesus em toda a plenitude.

Estamos convidados ao banquete da era melhor, do Evangelho imortal, e ninguém se pode escusar, a pretexto algum.

Dias houve em que poderíamos dizer que não estávamos informados a respeito da verdade. Hoje, porém, sabemos... Agora que a conhecemos por experiência pessoal, vivamos o Cristo de Deus em nossas atitudes, a fim de que o sol espírita não apresente a mensagem de luz dificultada pelas nuvens densas que caracterizam o egoísmo humano, o ressentimento, a vaidade...

Unificação, sim. União, também.

Imprescindível que nos unifiquemos no ideal Espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos.

Os nossos postulados devem ser desdobrados e vividos dentro de uma linha austera de dignidade e nobreza. Sem embargo, que os nossos sentimentos vibrem em uníssono, refletindo as emoções de amigos que se desejam ajudar e de irmãos que se não permitem avançar - deixando a retaguarda juncada de cadáveres ou assinalada pelos que não tiveram força para prosseguir...

A tarefa da unificação é paulatina; a tarefa da união é imediata, enquanto a tarefa do trabalho é incessante, porque jamais terminaremos o serviço, desde que somos servos imperfeitos, e fazemos apenas a parte que nos está confiada.

Amar, no entanto, é o impositivo que o Senhor nos concedeu e que a Doutrina nos restaura.

Unamo-nos, amemo-nos, realmente, e dirimamos as nossas dúvidas, retificando as nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos de vista, diante da mensagem clara e sublime da Doutrina com que Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples discípulos. Como discípulos não podemos ultrapassar o mestre.

Demo-nos as mãos e ajudemo-nos; esqueçamos as opiniões contraditórias para nos recordarmos dos conceitos de identificação, confiando no tempo, o grande enxugador de lágrimas, que a tudo corrige.

Não vos conclamamos à inércia, ao parasitismo, à aceitação tácita, sem a discussão ou o exame das informações. Convidamo-vos à verdadeira dinâmica do amor.

Recordemos, na palavra de Jesus, que “a casa dividida rui”, todavia ninguém pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união de forças.

É por isto, Espíritas, meus irmãos, que a Unificação deve prosseguir, mas a União deve vigir em nossos corações.

Somos semeadores do tempo melhor. Somos os pomicultores da era nova. A colheita que faremos em nome de Jesus caracterizar-nos-á o trabalho.

Adiante, meus irmãos, na busca da aurora dos novos tempos.

Jesus é o Mestre por excelência e Allan Kardec é o discípulo fiel.

Sejamos nós os continuadores honrados e nobres da Sua obra de amor e da Sua lição de sabedoria... E quando as sombras da desencarnação descerem sobre vós, e nós outros, os já desencarnados, nos acercarmos a receber-vos, podereis dizer:

- Aqui estamos, Senhor, servos deficientes que reconhecemos ser, porque apenas fizemos o que nos foi determinado.

Ele, porém, magnânimo, justo e bom, dir-vos-á:

“Vinde a mim, filhos de meu Pai, entrai no gozo da paz.”

Muita paz, meus amigos!

Que o Senhor vos abençoe. - Bezerra

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na noite de 20-4-75, na sessão pública da Federação Espírita Brasileira, Seção - Brasília, DF.) (Reformador - Fev/76)


CONSCIÊNCIA ESPÍRITA

Diz você que não compreende o motivo de tanta autocensura nas comunicações dos espíritas desencarnados. Fulano, que deixou a melhor ficha de serviço, volta a escrever, declarando que não agiu entre os homens como deveria; sicrano, conhecido por elevado padrão de virtudes, regressa, por vários médiuns, a lastimar o tempo perdido... E você acentua, depois de interessantes apontamentos: «Tem-se a impressão de que os nossos confrades tornam, do Além, atormentados por terríveis complexos de culpa. Como explicar o fenômeno?»

Creia, meu caro, que nutro pessoalmente pelos espíritas a mais enternecida admiração. Infatigáveis construtores do progresso, obreiros do Cristianismo Redivivo. Tanta liberdade, porém, receberam para a interpretação dos ensinamentos de Jesus que, sinceramente, não conheço neste mundo pessoas de fé mais favorecidas de raciocínio, ante os problemas da vida e do Universo. Carregando largos cabedais de conhecimento, é justo guardem eles a preocupação de realizar muito e sempre mais, a favor de tantos irmãos da Terra, detidos por ilusões e inibições no capítulo da crença.

Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria «O Livro dos Espíritos», recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O grande reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.

Comovido, o codificador da Doutrina Espírita, durante o repouso, viu-se também fora do corpo, em singular desdobramento... Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde gemiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor. Soluços de aflição casavam-se a gritos de cólera, blasfêmias seguiam-se a gargalhadas de loucura.

Atônito, Kardec lembrou os tiranos da História e inquiriu, espantado:

- Jazem aqui os crucificadores de Jesus?

- Nenhum deles - informou o guia solícito. - Conquanto responsáveis, desconheciam, na essência, o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os a se desembaraçarem do remorso, conseguindo-lhes abençoadas reencarnações, em que se resgataram perante a Lei.

- E os imperadores romanos? Decerto, padecerão nestes sítios aqueles mesmos suplícios que impuseram à Humanidade.

- Nada disso. Homens da categoria de Tibério ou Calígula não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Alguns deles, depois de estágios regenerativos na Terra, já se elevaram a esferas superiores, enquanto que outros se demoram, até hoje, internados no campo físico, à beira da remissão. - Acaso, andarão presos nestes vales sombrios - tornou o visitante - os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho? - De nenhum modo - replicou o lúcido acompanhante -, os carrascos dos seguidores de Jesus, nos dias apostólicos, eram homens e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que ostentavam... Todos foram encaminhados à reencarnação, para adquirirem instrução e entendimento. O codificador do Espiritismo pensou nos conquistadores da Antiquidade, Átila, Aníbal, Alarico I, Gengis Khan... Antes, todavia, que enunciasse nova pergunta, o mensageiro acrescentou, respondendo-lhe à consulta mental: - Não vagueiam, por aqui, os guerreiros que recordas... Eles nada sabiam das realidades do espírito e, por isso, recolheram piedoso amparo, dirigidos para o renascimento carnal, entrando em lides expiatórias, conforme os débitos contraídos... - Então, dize-me - rogou Kardec, emocionado -, que sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam a alma? E o orientador esclareceu, imperturbável: - Temos juntos de nós os que estavam no mundo plenamente educados quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que fugiram deliberadamente da Verdade e do Bem, especialmente os cristãos infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por livre vontade... Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais difícil... Chocado com a inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, de «O Livro dos Espíritos»: «Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?», indagação esta a que os instrutores retorquiram: «Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.» Segundo é fácil de perceber, meu amigo, com princípios tão claros e tão lógicos, é natural que a consciência espírita, situada em confronto com as ideias dominantes nas religiões da maioria, seja muito diferente. ESPÍRITO IRMÃO X - Psic. F. C. Xavier - “Livro “Cartas e Crônicas” - nº 7 Ed. FEB)