Certa feita, um casal espírita que atuava numa unidade prisional do Rio há muitos anos atrás, me contou um fato bastante tocante, que aconteceu na época em que atuavam.
Hoje não tenho mais contato; o marido faleceu e quanto a ela nunca mais a vimos. Mas ficou na nossa memória o episódio, pois foi de fato muito tocante.
Havia um preso que participava das reuniões espíritas e se mostrava bastante impregnado pela mensagem espírita.
Certo dia ganhou liberdade e foi procurar ajuda junto ao casal, pois eram as únicas pessoas com quem poderia contar, uma vez que vinha do Sul do país.
Foi bem atendido, porém o marido manifestou à esposa muita apreensão com o acolhimento do recém-liberto em sua residência. Ela mais resoluta, depois de alguma conversa, disse-lhe que se não o acolhessem em sua residência, jamais voltaria a participar do culto no lar que faziam. O impacto foi grande e ele teve que aquiescer.
O ex-preso foi bem ajudado em vários aspectos, inclusive tendo recebido uma passagem para que voltasse à sua terra natal.
Reintegrado em sua família, tratou de dar seguimento aos estudos espíritas e à prática espírita de um modo geral.
Qual não foi a surpresa do casal, quando tempos mais tarde, soube por carta que ele tão bem se integrara à prática espírita, que chegou a se tornar presidente de uma instituição espírita.
Ficamos também impactados com a história e meditávamos sobre o que seria do gaúcho se não houvesse recebido esse apoio inicial.
Samuel Kaplan
Coordenador do Departamento de Assistência ao Interno Penal do GELA