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Chegando ao Talavera, no meado de janeiro, para mais um estudo, encontrei um clima tenso, uma preocupação implícita em cada gesto.

Tive certeza de que algo estava acontecendo. Os agentes penitenciários estavam mais sisudos que o normal, mas ao mesmo tempo notava-se um certo alívio, um pouco tímido, com a nossa chegada. A chefe da segurança, logo que me viu perguntou:

– Deixaram a senhora entrar?!

– Balancei a cabeça em gesto afirmativo.

Sem nada dizer, ela me conduziu à biblioteca, onde é realizado nosso estudo. Vozes alteradas, vinham das galerias, mas nenhuma das meninas apareciam. Coloquei-me  em prece,e continuei a aguardar os acontecimentos. A inspetora-chefe me orientou a não abrir a porta.

Passados quarenta e cinco minutos, chegaram as meninas ( como chamo as internas ), que vieram relatar o ocorrido. Disseram que houve um furto na cantina, e como não apareceu o responsável, todos os considerados suspeitos seriam transferidos naquele dia, para outra unidade prisional, e já temendo as represálias do porvir, elas estavam iniciando um motim.

Fiquei apreensiva pelo destino daquelas mulheres, e mais angustiada por temer que alguma das meninas estivessem envolvidas. Dani, que já aprendeu a me conhecer, sorriu e me disse:

– Calma! Não haverá reunião, mas nenhuma de nós teve qualquer participação no ocorrido. Quem não estava trabalhando, estava no "cubículo", estudando o Evangelho para a próxima reunião. Essa fase já passou pra gente.

Fiquei muda de alegria. Mais uma vez agradeci a Deus, mandei um beijo com flores para D. Idalinda ( a fundadora desse trabalho ) e reverenciei meus irmãos de caminhada. Vale sempre a pena....

Rosilene Moreira dos Santos

Coordenadora do Trabalho no Instituto Penal Talavera Bruce

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