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O rapaz ouvira falar alguma coisa do Espiritismo. Era de Além-Paraíba, interior do Estado do Rio e estava cumprindo pena na capital. Por isso, andava sintonizando a Rádio “Rio de Janeiro”. Num desses dias estava a acompanhar um programa que explicava ensinos contidos no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e o exame do assunto o deixara muito interessado em conhecer o livro.

Não me recordo se teriam sido horas depois ou no dia seguinte, um colega de reclusão chega à sua cela para lhe pedir um favor, pois já tinha informação de que ele sabia ler e escrever com relativa facilidade: 

— Você poderia escrever uma carta prá mim. É que eu não sei ler nem escrever direito, e eu fiquei sabendo que você sabe...

— Ah, claro, não tem problema, vamos lá... Você tem alguma coisa prá apoiar o papel?

— Pô, valeu! – disse o outro – eu trouxe papel e caneta.

— Tá bom. E você tem alguma coisa aí prá gente apoiar o papel? – perguntou o rapaz de Além-Paraíba.

— Tem esse livro aqui que me deram...

O moço do interior bateu os olhos na capa do livro e qual não foi sua agradável surpresa quando leu: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

— Puxa vida rapaz!, eu tava mesmo querendo ler este livro! Você me empresta?!

— Pode ficar, eu não sei mesmo ler direito.

E assim o rapaz começou a ler o primeiro livro espírita da sua vida. E começou muito bem, podemos afiançar.

Samuel Kaplan

Coordenador do Departamento de Assistência ao Interno Penal do GELA

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