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Todos sofremos de uma doença tão antiga quanto a gripe, que poderíamos chamar de “rejeição a priori”. Seus efeitos são bastante conhecidos: não nos permite aprender coisas novas, não nos permite avançar, nem individual nem coletivamente etc etc etc.

Em particular, no caso do preso, a nosso ver, uma de suas maiores causas se encontra no medo, que por sua vez decorre do desconhecimento. Desconhecimento, por exemplo, de que há muitos tipos de presos, enquanto que a mídia enriquecendo nosso imaginário, vai fazendo crer que a população carcerária constitui-se de pessoas que vão nos atacar tão logo ponhamos o pé na unidade prisional. Esse fenômeno ocorre em nível inconsciente também; sem perceber vamos criando um pavor irracional.

Desconhece-se igualmente que na cadeia, sua população tem um respeito natural e espontâneo pelos que os visitam. Podem não compartilhar de crença alguma, porém o visitante deve ser, e é via de regra, respeitado tratado até com alguma deferência. Poderíamos afirmar, sem medo de errar, que se está mais seguro dentro da unidade prisional do que fora dela.

Jesus nos convidou a que visitássemos os presos, pois estaríamos fazendo isso a Ele. Mas por que será que Ele dava tamanha importância a esta visita? É simples: é que Ele sabia, que na condição de preso, privado da liberdade de ir e vir, os dias constituem-se uma eternidade, curtida muitas vezes na solidão, longe do alimento afetivo de toda ordem, e é nessa hora que alguns espíritos começam a despertar... o sofrimento os leva à reflexão. Se recebem atenção, podem dar início a uma caminhada espiritual. Se não recebem, podem se tornar mais revoltados do que já são (vários deles engrossam as estatísticas de reincidência, contribuindo para índices de cerca de 70%, no caso de adultos e de 48%, no caso de adolescentes, no Estado do Rio de Janeiro).

Como temos preferido fazer vista grossa a esse convite, escrito há 2000 anos, somos obrigados também a viver numa sociedade que poderia ser menos violenta. E ainda por cima, perdemos a grande oportunidade de poder dizer: “pelo menos, eu atendi ao convite”.

(“...estive preso e foste ver-me” – Mateus, 25 v.36)


SAEP - Serviço de Assistência Espírita ao Preso
(Área de Relações Externas do CEERJ)


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