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Espírita, irmão!

Há quanto tempo não visitas um presídio?

É possível que até hoje não tenhas pensado nos reclusos...

No corpo, apenas sentimos a presença de um órgão, quando ele adoece.

São silenciosas as vísceras que funcionam regularmente.

Na vida moral, vezes e vezes, os problemas são igualmente assim: somente chegamos a senti-lo quando nos vergastam o próprio “eu”...

Rememoremos, portanto, a prova inexprimível daqueles irmãos que nos deixaram, compulsoriamente, o convívio.

As suas culpas e as suas dores são também nossas.

Respirando anos-a-fio, circunscritos às grades da prisão, em atmosfera de onde, quase sempre, foram expulsos o perdão, a gentileza e a alegria, suportam eles a vida purgatorial da espiritualidade inferior, ainda na vida humana, ruminando o fel do abandono, a peçonha do desespero, o tóxico do vício, o veneno do rancor, o fogo da revolta e a bile da frustração

Condenados, outros desvairam.

Enfermos, não raro, de corpo e alma, outros muitos padecem martírios simultâneos.

Esfumaram-se os sonhos...

Perverteram-se os ideais...

A fé cadaverizou-se...

Em grande maioria analfabetos, são incompreensíveis a viverem incompreendidos.

Filhos da penúria, amargam a via-crucis de todas as necessidades.

Escravos da embriaguez, são como que dominados por fantasmas interiores que os embrutecem.

Muitos deles, ainda longe do remorso e inteiramente cativos da ignorância, fizeram do crime a profissão; do sarcasmo, o idioma; da astúcia, a lei.

Combateram a sociedade, fugiram da família e trocaram de nome, dando origem a órfãos de pais distantes e a viúvas de esposos vivos.

Contidos à força, estremunhados na noite prolongada da impenitência, vivem anos que se assemelham a séculos, imprecando contra o destino forjado por eles próprios, na amortização dos débitos perante as leis divinas e humanas, duplamente encarcerados na carne e no cárcere.

Quantas jóias espirituais de rara beleza atolados em escrínios de lama?!

Até que todos os ergástulos sejam transfigurados  em escolas e hospitais, conduzamos a eles — os grandes e infelizes  prisioneiros de si mesmos — a consolação de uma visita, o estímulo de um sorriso, o júbilo de uma dádiva, a bênção de uma prece.

Abrindo o coração ao sol do amor fraterno, auxiliemos os presidiários, diligenciando alcançar também a nossa própria liberdade espiritual, seguindo a lição do Senhor que nos ensinou, exemplificando:

— “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Maria Celeste
( Página recebida pelo médium Waldo Vieira, na reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de  11/12/1961, em Uberaba, Minas.) 
( Mensagem extraída da revista  “ Reformador” ,  de Dezembro de 1962.)
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