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“Sofrimento é processo purificador contra o qual será inútil a reação pela revolta ou através do desespero. Tal atitude mais agrava o problema, qual ocorreria a alguém que, pensando ou desejando diminuir a intensidade da dor de uma ferida aberta em chaga viva, lhe colocasse ácido ou espicaçasse com estilete as carnes em torpe decomposição e alta sensibilidade”.

Joanna de Ângelis


É o homem um ser eminentemente social, não se concebendo sua vida isolada em razão da dependência com o seu semelhante. Já foi dito, inclusive, que o homem mais convive do que propriamente vive.

A preocupação da harmonia social, característica do progresso humano, está na coerção que seus próprios membros exercem contra aqueles que, transviados, procuram meios de perturbar a paz do conjunto. Assim, temos a figura do crime e do criminoso, que é todo aquele que viola as normas de comportamento da sociedade. Portanto, toda a criatura que foge do comportamento tido como aceitável peã maioria é passível de uma sanção que vai até o máximo de sua segregação do meio, medida essa de caráter profilático.

Para os espíritas, o castigo social imposto a essas criaturas é sabido que não basta, em virtude da origem do mal transcender ao comportamento presente. Isso ensina a Doutrina Espírita. Vale dizer que só pratica o mal aquele que ainda não conseguiu assimilar o bem. E não assimilou porque ainda não o sentiu em sua pureza.

Daí ser de todo louvável o trabalho que muitas comunidades espíritas executam junto àqueles que se encontram segregados em cadeias, penitenciárias etc. Antes de mais nada devemos e precisamos encará-los como seres doentes que precisam da medicação própria para o espírito, que é o esclarecimento.

No entanto, convêm não perder de vista os encarregados de vigiá-los. Estes, exercendo tarefa tão espinhosa e incompreendida, representam aquela tranqüilidade que a sociedade procura e deseja. Tanto quanto possível, a estes também devemos prestar a assistência do esclarecimento, pois quanto mais em convivência, melhor atenderão os naturais conflitos.

Com boa vontade, disposição, desprendimento e coragem desses abnegados irmãos que se propõem a esse trabalho junto aos desavisados da sociedade chegaremos, bem mais cedo do que se imagina, ao convívio ideal, pois cada um que consiga entender sua própria situação de marginalizado, já nos coloca muito próximo do objetivo da redenção. O Divino Pastor assim o quer para formar, o mais breve possível, o seu rebanho único.

Sérgio Lourenço


Livro: Em Busca do Homem Novo

Autores: Richard Simonetti, Sérgio Lourenço e Therezinha Oliveira.

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