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Da Revista Universo Espírita nº 26 ano 2005, recortamos um pequeno trecho da entrevista concedida por Alípio González Hernández, presidente do Grupo Mensagem Fraternal, em Caracas, capital da Venezuela. 

Das diversas atividades no campo da divulgação da literatura espírita a que este Grupo se dedica, há cerca de 30 anos, uma delas chamou-nos a atenção, em particular: é a distribuição gratuita de livros espíritas em presídios da Venezuela. Segue, então, o trecho da entrevista:

Como é realizar o trabalho de doação de livros em presídios?

Quando vamos a um presídio, a primeira coisa que fazemos é nos identificar. Você vai dando livro àqueles que queiram receber, então acontecem muitas histórias. No presídio estadual de Trujillo, por exemplo, uma garota começou a distribuir livros entre os presidiários, e havia um detento que era líder dos demais. A garota ofereceu-lhe um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo e ele disse que não queria. Quando estávamos indo embora, ele mudou de idéia. Um tempo depois, os presos começaram a ler e a formar grupos de estudo dentro da prisão. O Ministério da Justiça, ao ver que havia baixado o índice de criminalidade no presídio, mandou um inspetor saber o que estava acontecendo. Em um dado momento, mudou tanto a conduta daqueles presidiários que muitos deles receberam o benefício de redução da pena. Aquele detento, que era o presidiário mais bravo de todos, transformou-se. Ele estava namorando a filha de outro preso que estudava o Espiritismo com ele. Esse presidiário pediu a menina em casamento, mas ela só aceitou com uma condição: eles dedicariam sua vida a difundir os princípios da Doutrina Espírita.


E qual o desfecho dessa história?

Fundaram um centro espírita. Um dia eles foram até Caracas e esse homem me disse: “Irmão Alípio, quando esteve em minha cidade, apresentei-me, mas você não me reconheceu”. Eu disse: “Como não? Você não fundou aquele centro espírita?”. Ele respondeu: “Sim, mas você não me reconheceu. Sou aquele preso da penitenciária de Trujillo”. “Você é Juan?”, perguntei. Ele respondeu: “Sim. Sou Juan, aquele preso perigoso que agora está trabalhando para Jesus”. 

Se todos os livros que doamos tivessem se perdido, só este livro valeu a pena todo o esforço que fizemos. E como essa, há muitas outras historias de livros que salvaram vidas.”

Em nosso trabalho, também costumamos distribuir livros, mensagens, periódicos... Não como esses nossos irmãos venezuelanos se especializaram em fazer, e por isso, o fazem em grande quantidade. O Sr. Alípio fundou até uma editora. Mas ao entrarmos numa unidade penal, com frequência, distribuímos mensagens e periódicos. Àqueles que mostram mais interesse, ofertamos livros e atendemos suas solicitações de alguma obra específica.

No trabalho desenvolvido na polinter de Neves, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, esta atividade ganha uma ênfase especial. Ali, os irmãos que aguardam julgamento ficam trancafiados e o interesse por livros, periódicos e mensagens é bem maior.

O poder transformador do livro espírita é inapreciável! Louvado seja Deus!!

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