Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro
Falando sobre aborto, mas também sobre violência sexual e
violência contra a criança e a mulher
Diretoria Executiva – 18/08/2020
Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que
edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque
estava edificada sobre a rocha.
Jesus (Mateus 7:24,25)
Bastante grande é a perversidade do homem. Não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em
vez de avançar, caminha aos recuos?
“Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem se adianta, pois que melhor compreende o que é
mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos. Faz-se mister que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a
necessidade do bem e das reformas.”
Allan Kardec (L.E. - Questão 784)
Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em
sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
“Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”
Allan Kardec (L.E. -Questão 359)
Sobre o acontecimento que gerou tanta discussão nos últimos dias, temos como fiel a codificação. O Livro dos Espíritos (q 359) é bem claro sobre a possibilidade de interrupção da gestação em risco de vida da mãe. No caso que vem sendo debatido pela sociedade, uma gestação em uma criança de 10 anos de idade não pode ser encarada como natural ou fisiológica, e que há risco aumentado de mortalidade. Segundo a literatura científica, há um risco 20% maior de morte nesta faixa etária do que em mulheres a
partir de 16 anos.
Todo espírita é, por definição, contrário ao aborto, à pena de morte, à eutanásia e defensor da vida sempre. Sendo assim podemos acalmar os corações nos mantendo sem julgamentos ou tentativas de medir a dor do outro.
O que também está em pauta e precisa gerar inquietação são outras questões: o abuso sexual de crianças e adolescentes, a responsabilidade da sociedade como um todo pela violência contra a criança e contra a mulher, o fato de uma criança ser vítima de violência por mais de 4 anos e que ela não tem ainda maturidade e autonomia para decidir por si. Essa criança precisa de proteção e acolhimento pelo Estado laico, mas também ter seu bem-estar garantido por toda a sociedade.
Cremos que o maior incômodo para nós espíritas deveria ser toda a violência que envolve este caso e que despertou a violência de tantos, vestida de ideologia e de religião. Não devemos expor a dor alheia, mas sim sermos a tradução de amor e amparo, consolando a dor daquela criança e da sua família.
Unamos nossos corações em prece por todos os envolvidos, dos dois planos da vida, neste episódio triste de nossa sociedade, e reflitamos como nós, espíritas, e nossas instituições estamos atuando, como membros ativos da sociedade que devemos ser.
A Doutrina Espírita é cheia de esclarecimentos, mas traz a lei de justiça, amor e caridade à frente de qualquer assunto.
Amai-vos deve ser sempre o primeiro mandamento. Seguir com Jesus sempre.