Marcelo NazarethTERAPIA LIBERTADORA


Oh ! Irmão fogo. Sê bondoso com meus olhos. Será a última vez que eles te irão ver.
Francisco de Assis 

Olhais para as coisas segundo as aparências? 
Paulo II Coríntios,  10:7


Não consiste em qualquer forma de masoquismo a compreensão da dor a luz da doutrina dos Espíritos,  condenando as creaturas humanas a uma voluntária auto-mutilacao, nem por barganha pelo paraiso em um céu contemplativo e inutil.

 Entretanto,  se foste visitado pela sabedoria do Evangelho através das letras de Allan Kardec e de seus  colaboradores de mais além , lança um pouco de humildade em derredor de tua caminhada e agradece a luz do dia na qual  podes divisar com teus olhos mortais e com as percepções globais do teu ser imperecivel a oportunidade redentora com que a  reencarnação te beneficiou a alma culpada.

Lembrasses da pesada bagagem que te assinala a ficha das experiências falidas e teu próprio orgulho lançaria teu ser no abismo do remorso paralisante.

Não te recordas do pretérito,  via de regra,   porque é preciso humildade para compreender os motes de cada erro, a fim de receberes o perdão de ti próprio e da lei sem te sentires despedaçado pelo narcisismo , nem humilhado, realmente apreendendo o significado do amor que cobre a multidão dos pecados, como acentuou Jesus.

Não te recordas dos erros transatos, porque teu orgulho não te permitiria o auto-perdao,  que começa na aceitação do erro por metodologia do aprendizado, fenômeno previsível - embora evitavel-  , sem que a conivência tome partido, a auto-piedade ou outros estratagemas do ego, aceitando a árdua - e momentânea -prova, com que a vida te renovará a frente, na eternidade.

O bem que fulge vitorioso no horizonte das tuas pegadas não prescinde do pagamento de débitos com a retaguarda e mesmo o espírito mais elevado, vinculado ao labor incessante com Cristo saberá que regressar aos palcos da luta terrenal será imperioso a vitória definitiva da luz em si mesmo.

Não se trata de auto-flagicio. 

Superação pede esforço incansável. 

E quem desperta para os sagrados ideais do amor em todas as suas tonalidades e aspectos não relaciona impedimentos para a realização do melhor, nem se detém na reparação dos erros do pretérito. Avança estóico e firme.

Ao nível psicológico,  a revolta e a cólera , a blasfemia e a agitação improdutivas revelarão a compulsoriedade expiatória e a incapacidade de assumir - se perante os próprios tropeços,  carecendo de tutores e responsáveis pelas escolhas, face à inaptidão de sanidade para a autonomia espiritual, embora passageira.

A serenidade, ainda que sob os camartelos do sofrimento, com resignação ativa e obediência dinâmica revela maturidade do senso moral e escolha conjunta do quinhão de lutas imprescindíveis, para resgatar a jóia da gema e libertar a forma sublime da lápide dura e bruta.

Reconhece - se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega em domar suas inclinações más ( O ESE Cap XVII item 4 ), ou seja, consciente da animalidade ainda resistente, entrementes não conivente a esta, adestrando a fera e educando o ser espiritual, para que a obra do amor seja plena e definitiva.

Reflete nisso ante as lutas que te cercam ou que emergem de ti próprio,  aceitando e sendo grato. 

Bem aventurado aquele que pode lutar e sofrer, chorar e sangrar por amor ao Cristo agora, porquanto hoje é o nascer definitivo da manhã que devora a treva da noite e a umbra da madrugada. 

Se corajoso e fiel.

Fernando de Luna / Marcelo Nazareth 
Amparo,  14 de Fevereiro de 2017