Cauci de Sá Roriz

caucidesarorizQUERO EVOLUIR! POR ONDE COMEÇAR?

Você notou, nobre leitor, que a questão 264 de O Livro dos Espíritos revela o rol das expiações e provas escolhidas pelos Espíritos quando de seu planejamento reencarnatório?
Nem todos os reencarnantes têm possibilidade de escolher suas provas e expiações. Há aqueles que, em face dos enganos cometidos (como, por exemplo, o suicídio), têm o livre-arbítrio momentaneamente obliterado e a escolha das provas e expiações fica a cargo de dedicados Espíritos.
Essa informação encontra-se na formidável obra Memórias de um Suicida, fruto do dedicado esforço da inesquecível médium Yvonne do Amaral Pereira, que relata o drama de um grupo de suicidas.

Por que os suicidas geralmente perdem a capacidade de escolher as expiações e provas da futura reencarnação? A resposta vem simples e direta: “Se permitirmos que escolham, certamente, levados pelo profundo sentimento de culpa, optariam por uma vida de imensas limitações e sofrimentos muito acima de sua capacidade de resolvê-los.” Não teriam condição de aproveitá-los e consequentemente evoluir.
Eis a razão por que têm o livre-arbítrio cassado temporariamente. Pura Misericórdia da Providência Divina.
Essa informação dá-nos a certeza de que a relação entre o Criador e a criatura é essencialmente educativa.
Não há na Justiça Divina excesso de punição. Quando ela é absolutamente necessária é aplicada na medida que possibilite aprendizado e crescimento da criatura.
Daí porque a rebeldia frente a uma expiação agrava em muito a situação da criatura.

A supracitada questão 264 de O Livro dos Espíritos alude apenas aos que têm possibilidade de exercer o livre-arbítrio e escolher as provas e as expiações pelas quais precisa/necessita/pode/deve passar.
Nesta questão os Espíritos da Codificação informam que há 3 tipos de prova e expiação escolhidas:
1)Uns impõem-se vida de misérias e privações. 2)Outros, a tentação da riqueza e do poder, muito mais perigosas. 3)Outros, finalmente, querem ser provados nas lutas que terão de sustentar no contato com o vício.

Ao informar, referindo-se aos vícios, que “outros querem ser provados...” os Espíritos não deixam nenhuma dúvida de que o enfrentamento do vício é prova e não expiação.
E quanto à miséria e à riqueza? São expiatórias ou provacionais?
Sugiro ao leitor consultar a questão 246 da obra O Consolador onde Emmanuel, pela magnífica mediunidade de F.C.Xavier, apresenta bela definição de expiação e prova que poderá auxiliar no esclarecimento da dúvida.

Outra ilação podemos concluir da intrigante questão 264 de O Livros dos Espíritos: miséria e riqueza são excludentes entre si em face da impossibilidade de uma pessoa ser financeiramente rica e pobre ao mesmo tempo. Mas a prova do vício pode ser acrescida a uma ou a outra situação. Uns, ricos/poderosos e escravos do vício. Outros, vida de misérias/ privações e igualmente presos a vícios de toda ordem.

Mas há aqueles que não têm uma vida de misérias, nem de opulência. Levam uma vida em que tudo não é farto, mas também não é falto. Economicamente são classificados como classe média.
É o seu caso, amigo leitor?
Então, a sua única prova nesta etapa reencarnatória, escolhida por você mesmo, é sustentar luta contra o vício.

Vício não é apenas a dependência ao álcool ou ao tóxico. A questão 102 de O Livro dos Espíritos apresenta uma maior amplidão ao termo ao informar que os vícios geram as paixões vis e degradantes tais como a sensualidade, a crueldade, a felonia (deslealdade, traição), a hipocrisia, a cupidez, a avareza sórdida.

Onde nasce o vício? Onde reside? Qual a sua raiz? Como combatê-lo? A questão 913 de O Livro dos Espíritos ensina: O egoísmo. “Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que luteis contra eles (os vícios) não conseguireis extirpá-los enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam, pois, para esse fim, porque aí está a verdadeira chaga da sociedade”.
Lutar contra o egoísmo: Essa, em síntese, a proposta que fizemos perante nossos avalistas espirituais quando de nossa programação reencarnatória. O exercício da abnegação, do altruísmo, o início do projeto evolutivo.