Professor Cesar ReisCésar Reis

DEUS - LEI E MISERICÓRDIA

O número 8 do Cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo nos diz que “Deus consola os humildes e dá força aos aflitos. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou Ele um bálsamo que consola”. Pensamos nesse Deus que é, ao mesmo tempo misericórdia e lei. Onisciente, Seu poder está em cada ponto do universo. Cria as leis do mundo natural, as leis do mundo moral e agasalha, pacifica, regenera. É amor em uma integralidade que ultrapassa de largo nossa capacidade de compreensão.

Quanto mais a ciência cresce, mais Deus se torna maior, ao nosso entendimento. Leibnitz, grande sábio do século dezessete, conclui que “ Para perceber na sua totalidade a beleza e a perfeição universal da obra de Deus, devemos reconhecer um certo progresso perpétuo e muito livre de todo o universo... no abismo dos seres adormecidos, restam sempre partes que ainda não foram despertadas.”

Cento e sessenta anos depois, em 1857, a humanidade recebeu a primeira edição de O Livro dos Espíritos, abrindo perspectivas até então insuspeitadas para a filosofia, para a ciência e, por consequência, para o comportamento humano. Começa a era da fé raciocinada.

Hoje, graças ao mapeamento do genoma, percebemos os processos fundamentais da vida. Vemos que grande parte da biologia é redutível à química, que grande parte da química integra-se à física. Nossa mente está associada a centenas de trilhões de conexões neurais agregadas a elementos químicos. Há mecanismos de comunicação formado por neurotransmissores e o corpo passa a ser crescentemente maravilhosa máquina de viver pilotada por algo que é intrinsecamente inteligente e dotado de vontade própria. No entanto, há leis presentes nos microorganismos, assim como na conduta do homem. Leis que passam das ciências naturais para as comportamentais, para as ciências humanas. Somos, ao mesmo tempo, células infinitesimais do grande organismo que é a humanidade e universo para cada uma das células que compõem nosso corpo.

Há cerca de 100 anos os astrônomos estavam presos a um oceano de ar incompreensível. Hoje, descobertas as leis, ajustada a tecnologia, grandes telescópios em órbita, fotografam o cosmos com raios X, raios gama, luz ultra violeta. Infravermelha, ondas de rádio, dentre outras.

Marconi, em 1901, fez a primeira transmissão de rádio . Hoje nos comunicamos com espaçonaves, somos capazes de escutar emissões de resíduos de rádio da explosão do Big Bang. Temos espaçonaves, naves robóticas a caminho das estrelas. No tempo de Marconi pensava-se que a Via Láctea fosse a galáxia única. Hoje sabemos que há 100 bilhões de galáxias afastando-se umas das outras. Esta talvez seja apenas uma das “encarnações” do universo.

A revolução científica nos aproxima de Deus porque a ciência só descobre as coisas porque há regras e, por isso, é possível criar matemáticas que transformem as teorias em equações. Novas matemáticas têm surgido para fazer face às novas questões. Lembramos de Platão que dizia ser Deus o supremo geômetra, ou de Pitágoras ou Tales ou Arquimedes ou Euclides que eram filósofos a procura de Deus. O próprio Leibnitz, que citamos no início, descobriu o teorema fundamental do cálculo, que permite a resolução de extraordinário número de questões de todas as ciências. Formulou um modelo científico, precursor teórico de computação moderna Na visão que teve da existência de uma "característica universal", Leibniz encontrava-se dois séculos à frente da época, no que concerne à matemática e à lógica. Filósofo, percebia a relação Deus- criação. Melhor ainda, sentia as relações Deus- leis naturais e morais a partir de uma harmonia pré estabelecida.

Com a Doutrina Espírita estamos convocados a nos abismar com esse Deus-lei que cresce todos os dias com o crescimento das nossas conquistas da ciência. Mas estamos convidados a adquirir compreensão e sabedoria para que Deus-misericórdia cresça em nós a partir da estrita harmonia com as leis morais, para que o homem de bem seja a proposta de nossas vidas.